HISTÓRIA DA MÚSICA ANTIGA – MESOPOTÂMIA, EGITO E GRÉCIA

Vamos passear pela história da música antiga. Qual a origem da música? Essa é uma questão que muitos pesquisadores, músicos e curiosos buscam saber, seja por curiosidade ou para fazer algum trabalho da escola ou faculdade, afinal somos uma sociedade musical, que utiliza a música para quase todas as atividades do cotidiano.

O presente artigo se propõe, de maneira resumida, a esclarecer alguns pontos da música na antiguidade, auxiliar professores no ensino da matéria a explicar a origem da música de forma simples e fácil.

Com uma comunicação didática e simples abordaremos esse tema, já que nem sempre encontramos uma linguagem acessível, mesmo com a quantidade enorme de informações sobre o assunto.

Vamos viajar no tempo e entender um pouco sobre a música nas civilizações antigas?!

A música surgiu há cerca de 50.000 anos, há indícios de seu aparecimento em pinturas rupestres onde é possível perceber manifestações visuais de música, dança e até mesmo a representação do que seria uma flauta, considerada por muitos, um dos instrumentos musicais mais antigos.

A prática musical inicialmente consistia na vocalização e em movimentos de percussão corporal, não se sabe ao certo o que surgiu primeiro, se as batidas corporais ou as vocalizações.

Certamente surgiu a partir da tentativa de imitação dos animais e de outros sons da natureza, também como forma de externar sentimentos, como medo, incertezas e alegrias.

Os povos antigos atribuíam a música ao divino, seria um presente dos deuses, por isso também era muito utilizada em cerimônias religiosas.

É possível perceber essa afirmação mesmo nos dias de hoje quando observamos algumas tribos indígenas em seus rituais religiosos, aonde fazem manifestações, com suas músicas e danças ao deus Tupã.

Não se pode determinar com precisão a cronologia do surgimento da música, porém podemos perceber sua evolução conforme a aquisição de novas habilidades pelo ser humano. A história da música antiga divide entre outras, entre regiões da Mesopotâmia, do Egito e da Grécia.

Estudos baseados nessa época indicam o aperfeiçoamento na construção dos instrumentos que valorizavam o timbre.

Nesse artigo você vai saber sobre:

CIVILIZAÇÕES ANTIGAS E A MÚSICA

Mesopotâmia

MESOPOTÂMIA

Na região da Mesopotâmia viviam os povos sumérios, assírios e babilônios. Em suas ruínas, 3000 anos antes de Cristo, foram encontradas no território sumério harpas de 3 a 20 cordas e também foram encontradas cítaras na localidade dos assírios.

Esse período é denominado “Antiguidade Oriental” e não se sabe muito sobre a música dos povos que viveram entre os rios Tigre e Eufrates.

Na Assíria e na Babilônia a música possuía intenso significado social e religioso. Conclusão reforçada com o descobrimento, por volta de 800 a.c., de um tipo de notação musical por meio de escrita cuneiforme para acompanhamento da cítara de duas ou três vozes baseado em método pentatônico.

Assíria

Para os Assírios a música era poder, esse povo deixou bastante material referente à música, pinturas, esculturas e escritas em baixo relevo. Muitas vezes os músicos eram mais reverenciados e estimados que os próprios sábios.

Babilônia

Para os babilônios a música era muito associada à religião, utilizada para entoar hinos de louvor e também hinos de lamentação e penitência.

O canto era utilizado em diversas ocasiões e com diversos propósitos, para a caça, o amor, o ódio, a guerra, evocação dos mortos, estado de transe, etc.

Suméria

Os sumérios foram os que mais se destacaram culturalmente dentre os povos da Mesopotâmia.

Apesar de não terem sido encontrados registros de uma notação musical, foram encontrados documentos em escrita cuneiforme que apresentaram que os sumérios apurado conhecimento sobre teoria musical, esses documentos indicam que tinham conhecimento sobres as escala pentatônica e diatônica.

Os instrumentos também eram avançados, flautas de cana e prata, liras de cinco a onze cordas, harpa com coluna de apoio e um tipo de alaúde de braço longo.

Já os persas que herdaram essa cultura musical da Mesopotâmia, conforme o testemunho de Heródoto, importante historiador grego, os persas aboliram a música dos cultos mas, sem deixar de contemplar os os conjuntos vocais e instrumentais, como se pode conferir em documentos iconográficos.

Vamos recapitular alguns aspectos?

 Cronologia

  • Não se sabe exatamente, os documentos e pinturas foram encontrados com data de aproximadamente de 800 anos a.C.

Como era a prática musical?

  • A prática era realizada em grupos, associada à dança, como se percebe em gravuras rupesetres, e há quem diga que haviam apresentações para até 150 pessoas.

Quais instrumentos eram utilizados?

  • flautas;
  • liras;
  • harpas;
  • alaúde de braço longo;
  • instrumentos percussivos.
  • Que função desempenhava?
  • A música já desempenhava função social e possuía cunho ritualístico, praticada com intuito religioso, em comemorações, funerais, etc.

Existia alguma espécie de teoria musical?

Embora não existisse uma notação musical elaborada, o entendimento musical se mostrava avançado, os músicos se orientavam por meio de escrita cuneiforme que indicava o conhecimento das escalas pentatônica e diatônica.


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EGITO

No Egito a arte era algo sagrado, possuía características sofisticadas e muito peculiares. Os egípcios acreditavam que o deus Thoth inventara a música e que o deus Osíres utilizara na civilização do mundo.

A música era praticada em quase todos os momentos da vida social, em momentos religiosos e até mesmo na busca da cura por doenças numa espécie de terapia para curar o corpo físico, mental e espiritual, em que as pessoas entravam em transe. Os cantos tradicionais eram os religiosos, os profanos, os guerreiros e os de trabalho.

A tecnologia egípcia era bem avançada, inclusive nos instrumentos musicais, pois possuíam instrumentos de corda, como a harpa e a cítara elaborados artisticamente e também flautas simples e duplas, além de instrumentos de percussão, como crótalo, sistros e tambores.

Outra característica interessante é que as flautas encontradas indicam que era utilizada a escala diatônica com tons e semitons.
A harpa era o instrumento que mais representava a música egípcia, elaborada de forma sofisticada e nas mais elegantes formas.

No século II, na Alexandria, Ctesíbio inventou o órgão hidráulico, que funcionava com uma de suas partes submersa na água, uma invenção incrível para a época.

A arte egípcia era sofisticada e por meio de seus instrumentos musicais e papiros com muitas anotações acabou por influenciar outras civilizações antigas, a exemplo das civilizações cretense, grega e romana.

Recapitulando aspectos relevantes

  • Cronologia

Entre 6.000 e 4.000 anos antes de Cristo.

Como era a representação musical egípcia, qual era o seu papel?

A música estava presente em praticamente todos os momentos, tinha um viés social forte, os cantos eram entoados em diversas ocasiões, eram religiosos, profanos, de guerra, de trabalho, etc. Também havia rituais com música na condução do estado de transe, a utilização da música para imergir psicologicamente nesse estado.

Instrumentos utilizados e suas características

Os instrumentos eram sofisticados e tecnologicamente avançados, elaborados com capricho. Eram flautas simples, flautas duplas (aulos), harpas, instrumentos de percussão e mais tarde no século II, o órgão hidráulico que funcionava com alguns de seus tubos submersos na água.

O instrumento nacional era a harpa.

Como era a teoria musical?

Não foram encontradas anotações com algum tipo escrita musical, os músicos egípcios talvez não tivessem o mesmo status dos músicos sumérios, pois em diversas pinturas são retratados como escravos e ajoelhados. Apesar disso os instrumentos indicam que a escala diatônica era utilizada, com tons e semitons.

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GRÉCIA

Os vestígios encontrados nas ruínas de algumas cidades, como Tirinto, Micenas e Cnossos, indica que o princípio da arte grega se deu na civilização cretense.

A arte na Grécia é a exaltação da natureza e de tudo o que contempla a vida, era a busca incessante pela perfeição em diversos aspectos, como o ritmo da música, dança e poesia, executadas em conjunto.

Obviamente na arte também prevalecia a busca pela beleza ideal e também a consideração pelos valores espirituais.

A música era associada á mitologia, á educação e á ética. Também explicava a existência do povo grego, tendo poderes de construir cidades, acalmar feras, etc.

A teoria musical se fundamentava em oito escalas diatônicas descendentes, também chamadas de modos gregos, cada um com um significado, uma sensação. Os principais instrumentos eram:

  • Cítara – instrumento de corda, mais complexo que a lira, as cordas podiam ser afinadas em diferentes alturas, possui uma caixa de ressonância.
  • Lira – instrumento de cordas esticadas afinadas segundo as notas de um dos modos, fixadas em uma estrutura de casco de tartaruga, acompanhava recitações e canções.
  • Flauta de Pã (siringe, syrinx) – feita de uma série de tubos fixos, de comprimentos diferentes, soprados pela extremidade superior. Muito comum em filmes épicos.
  • Hidraulo – que deu origem ao órgão moderno, instrumento de teclas e tubos submersos na água.
  • Aulo – originalmente duplo (diaulo), instrumento parecido com a flauta, possuía palheta e o som se assemelhava ao som do clarinete.

O elemento básico era o tetracorde, que consistia em quatro escalas descendentes pertencentes a um intervalo de quarta justa, e os intervalos entre essas quatro notas, variáveis que definiam as modalidades:

  • Diatônica: variava de acordo com a posição do semitom, formando os subtipos, dórico (semitom na base, de origem grega), frígio (semitom no centro, de origem asiática), e lídio (semitom no alto);
  • Cromática: um intervalo de terça menor e dois intervalos de semitom, ou;
  • Enarmônica: um intervalo de terça maior e dois de quarto-de-tom.

Quanto à escrita musical grega, sabe-se que já estava estabelecida no século III a.C., sua origem é desconhecida e não parece indicar com precisão os valores das notas, servindo aparentemente como auxílio mnemônico para músicos profissionais acostumados a transmissão musical de forma oral.

Existiam dois tipos de notação:

  • Vocal – utilizava letras do alfabeto jônico.
  • Instrumental – apresentava sinais semelhantes a letras

É possível reconhecer outros sinais como pontos e traços que indicavam valores. Apesar de ser notação não bem cifrada, parece indicar a existência de uma escala musical de duas oitavas e de um sistema semelhante ao de armadura de clave, indicando qual dos modos deveria ser utilizado.

O sistema mencionado só foi posto em manuais no período de Aristóxenes.
Atualmente existem por volta de sessenta fragmentos de obras musicais com apenas uma obra completa (Epitáfio de Sícilo).

O aulos era muito utilizado em homenagem ao deus Dionísio, assim como a cítara homenageava Apolo, deus da Música e líder das Musas, das quais algumas eram pertencentes à música, como Euterpe.

Pitágoras estabeleceu relações físicas (frequências), éticas (sensações positivas e negativas) e matemáticas (relações numéricas) na música. Ele percebeu que a oitava estava numa razão de dois para um e a partir daí elaborou a escala musical.

Mais tarde, Aristóxenes contestaria a teoria de Pitágoras, defendendo a consonância pelo ouvido e não por razões matemáticas, o que deu origem ao sistema temperado de escalas modernamente. Porém o que soava bem aos ouvidos era considerado mundano e inferior, afinal feria a ética musical estabelecida à época.

De um ponto de vista político já se sabia do poder da música no comportamento das pessoas e deixar a música, de certa forma, sem a obrigação ética, poderia aumentar o poder das pessoas sobre si mesmas e diminuir a influência do estado e da religião.

A maneira conservadora não impediu a evolução musical mediante protestos de quem defendia uma forma livre, subjetiva, à elaboração maior da melodia e do ritmo, e ao uso de cromatismos.

Aristóteles também defendia que a música deveria ter forma livre, retirando a conotação de negativa ou positiva do ponto de vista ético, apenas como uma forma de expressão, para ele a música era um tipo de ócio, arte nobre, capaz de educar, curar e refletir sobre sentimentos.

No século VI a.C. a lírica coral se transformou em um gênero autônomo, elaborando uma composição para cada ocasião. Todas elas dependentes do ritmo e da poesia, o que daria origem ao teatro grego. Por exemplo:

  1. Ditirambos: canto coral apaixonado (alegre ou sombrio) recitado uma parte pelo cantor, e de outra, pelo coral, em honra ao deus Dionísio;
  2. Peãs: canto de triunfo, exaltação ou ação de graças, cantado por um solista e por um coro acompanhados pela cítara e pelo aulos, dedicado a Apolo;
  3. Epitalâmios: cântico musical religioso, que consistia em elogio público e solene ao cônjuge de maior condição social, recitado por um cantor e um coro que invocavam os deuses, em especial Himeneu, para que propiciassem felicidade eterna ao casal;
  4. Trenodias: poema fúnebre de lamentação;
  5. Partênios: poema da ópera antiga realizado por um coro de virgens;
  6. Hinos: para louvores variados; e
  7. Epínicos (olímpicos): para vencedores de jogos.

Revisando alguns aspectos importantes da música grega antiga

Quais eram principais instrumentos?
  • Cítara;
  • lira,
  • Flauta de Pã;
  • Harpa;
  • Hidraulo; e
  • Aulo.
Que função a música desempenhava nessa época e na sociedade?
  • A música acompanhava a vida social em muitas situações importantes, o ritual era forte, então para cada ocasião importante havia uma celebração, onde a arte e estava presente, muitas representações com música e dança. A lírica coral era muito forte, apresentando uma composição para cada ocasião. Dentre elas:
  • Ditirambos – canto coral apaixonado, alegre ou triste apresentado por solista e coral.
  • Peãs – triunfo, exaltação e ação de graças. Executado por solista e coro, com os instrumentos cítara e aulos, dedicado a Apolo.
  • Epitalâmios – canto religioso matrimonial. Cantor e coro invocavam deuses, principalmente Himeneu, para que concedessem felicidade eterna aos noivos.
  • Trenodias – Canto Fúnebre.
  • Hinos – Louvar aos deuses.
  • Epínicos cantos olímpicos para os vencedores.
Como funcionava a prática e a teoria musical?
  • A prática musical na Grécia antiga era muito rica, como havia a busca pela perfeição como filosofia de vida e em outras artes, não seria diferente com a música.
  • Ao que tudo indica a escrita musical já estava estabelecida no século III antes de Cristo, porém não indicava os valores com precisão, servindo apenas como auxílio mnemônico para os músicos, existiam dois tipos de notação: vocal e instrumental.
  • O elemento básico era o tetracorde que definia as escalas:
    • diatônica – variava de acordo com o semitom formando os modos dórico, frígio e lídio;
    • cromática – um intervalo de terça menor e dois intervalos de semitom, ou;
    • enarmônica –  um intervalo de terça maior e dois de quarto-de-tom.

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 CONCLUSÃO

A origem da musical é sempre fundamental para seu entendimento e diversas transformações ao longo do tempo.

Foram apresentadas apenas algumas civilizações antigas que desempenharam papéis relevantes no desenvolvimento da música, porém isso não exclui outras regiões, como a China.

Espero que esse artigo tenha ajudado a entender um pouquinho sobre o surgimento dessa arte tão maravilhosa que atualmente nos acompanha em vários outros aspectos, se fossemos falar das ocasiões em que fazemos o uso da música teríamos mais um leque de finalidades, mas deixemos isso para um próximo post.

 

Fontes de consulta:

 

 

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